A explosão dos vídeos em dispositivos móveis: prós e contras de produtos baseados em sites responsivos, sites dedicados ou aplicativos

Nos EUA, o hábito de assistir vídeos em dispositivos móveis explodiu por uma série de motivos. Uma das principais razões foi a rápida implementação das redes sem fio 4G, que suportam os vídeos mobile. Outro motivo foi o fato das audiências mais jovens estarem adotando rapidamente o hábito de assistir vídeos em dispositivos móveis. A terceira razão foi a velocidade com que os tablets se espalharam, transformando o iPad e o Kindle nos dispositivos favoritos para o consumo de vídeos. Por isso, os usuários (norte-americanos) de tablets estão se tornando o público-alvo preferido das empresas que oferecem vídeos mobile.

O relatório MOBILE VIDEO: inside the massive explosion, and what it means, da Business Insider, apontou alguns fatos que provocaram o aumento de consumo dos vídeos em dispositivos móveis nos EUA, principalmente nos tablets.

  • O uso de tablets atinge um pico durante a noite ou nos finais de semana, no mesmo horário em que as pessoas costumavam se reunir em torno do aparelho de TV.
  • Os tablets são dispositivos compartilhados entre todos os membros de uma família.
  • O padrão para assistir vídeos em tablets é similar ao comportamento tradicional de assistir TV, somado ao fato de serem dispositivos fáceis de manusear, fazendo que as pessoas passem grande parte do seu tempo consumindo vídeos longos.
  • Assistir vídeos é uma das principais razões pela qual as pessoas usam tablets. Um relatório da Comscore sobre o consumo de dados em 2012 apontou 2 atividades relacionadas à visualização de vídeos em tablets: assistir e compartilhar.
  • Os usuários de tablets apresentam maiores taxas de conversão do que os usuários de smartphones. Essa situação se repete em outros contextos de uso, como as propagandas apresentadas em resultados de busca ou no caso de e-commerce, sugerindo que as propagandas em vídeos podem se beneficiar mais das telas maiores.
  • Os usuários de tablets são mais propensos, do que o consumidor médio norte-americano, a cortarem suas assinaturas de televisão paga. Segundo um relatório da Morgan Stanley, publicado em janeiro de 2013, os usuários de tablets tendem a usar serviços alternativos para streaming e download de vídeos, como o HuluApple TViTunesNetflix ou Google TV.
  • Entre os espectadores mais jovens dos EUA (14 a 23 anos), os tablets são tão populares para assistir aos programas de TV quanto os Blu-Rays ou DVDs. De acordo com o relatório Deloitte’s state of the media democracy, realizado no final de 2012, 25% dos usuários de tablets entre 14 e 23 anos respondeu que assiste, diariamente ou semanalmente, a programas de TV em tablets, enquanto 24% afirmou fazer isso em dispositivos como DVD ou Blu-Ray.

O relatório The Cisco Visual Networking Index (VNI) global mobile data traffic forecast update (cujo resumo você pode ver no post A web móvel assume o controle) também apresenta alguns dados sobre o aumento do consumo de vídeos através de dispositivos móveis. De acordo com esse relatório, dois terços do tráfego mobile mundial, em 2017, será por causa dos vídeos, que irão crescer 16 vezes entre 2012 e 2017, representando 66% do tráfego mobile total no final desses 5 anos. O relatório da Cisco também aponta que o Oriente Médio e a África terão o maior crescimento do tráfego mobile, seguidos da Ásia e da América Latina. E por falar em América Latina, o relatório Global internet phenomena report, da Sandvine, confirma que o consumo de vídeos em dispositivos móveis está entre causadores do aumento do tráfego mobile da região, conforme é possível observar no gráfico abaixo.

Composição do tráfego mobile na América Latina (crédito: Sandvine)
A categoria Real-Time Entertainment (streaming de vídeo e áudio) é responsável pelo maior volume de tráfego em dispositivos móveis na América Latina. Estima-se que o crescimento contínuo dessa categoria resulte no aumento do consumo de vídeos longos através de dispositivos móveis (crédito da imagem: Sandvine).

As informações dos relatórios demonstram a grande oportunidade que temos para investir em produtos de vídeo mobile. Para isso, basta apenas escolher a melhor estratégia para a sua empresa. Qual o melhor caminho? Um site responsivo, um site dedicado ou um aplicativo?

SITES RESPONSIVOS

Através dessa abordagem, o conteúdo e o layout são ajustados para diferentes plataformas, tamanhos e orientações de tela. Através do mesmo arquivo básico de HTML e CSS3, as informações podem ser visualizadas em computadores desktoptabletssmartphones e TVs conectadas (o que pode ser uma grande vantagem para produtos mobile de vídeo).

Vantagens:

  • Necessita de apenas uma versão: só é preciso desenvolver e manter 1 site.
  • Consistência: o conteúdo básico do site é o mesmo, através de várias plataformas, fornecendo uma experiência consistente para os usuários.
  • URL/Domínio único: o compartilhamento de conteúdo é mais fácil, pois não é necessário o redirecionamento para outros dispositivos.

Desvantagens:

  • Falta otimização: a menos que você use uma abordagem mobile-first, o conteúdo não é totalmente otimizado para dispositivos móveis.
  • Performance mais lenta: as páginas responsivas possuem o mesmo (ou até maiores) tamanho de arquivos do que os computadores desktop.
  • Problemas de usabilidade: os usuários de dispositivos móveis desejam cumprir tarefas diferentes daquelas realizadas em computadores desktop. Por essa razão, talvez eles estejam mais acostumados às interfaces desenvolvidas especificamente para dispositivos móveis (sites dedicados).
  • Segurança: no caso específico de vídeos, não oferece recursos como DRM – Digital Rights Management (as demais desvantagens são genéricas e não se aplicam somente ao caso de vídeos).

SITES DEDICADOS

Um site dedicado é uma versão separada de um site, exclusivamente projetada para dispositivos móveis. A forma mais comum de implementação de um site dedicado é realizada através da adição de um prefixo ou sufixo no domínio do site (exemplo: “seusite.com” se transforma em “m.seusite.com”), redirecionando os usuários de dispositivos móveis para a versão mobile desse site.

Vantagens:

  • Conteúdo adaptado: o conteúdo mobile é separado do conteúdo para desktop, além de oferecer uma navegação customizada para os usuários de dispositivos móveis.
  • Velocidade: o site é otimizado para a experiência mobile.
  • Desenvolvimento rápido: se a versão desktop do site já existe, uma versão mobile do site pode ser construída e lançada rapidamente e com custos muito baixos.

Desvantagens:

  • Múltiplos Domínios/URLs: talvez isso tenha uma implicação para SEO e o compartilhamento de conteúdo nas redes sociais se torne um problema.
  • Necessita de redirecionamento: os usuários de dispositivos móveis serão redirecionados para a versão otimizada para mobile e vice-versa, adicionando um certo tempo de carregamento para a página.
  • Trabalho extra: existirão 2 diferentes conjuntos de conteúdo para administrar e manter.
  • Segurança: no caso específico de vídeos, não oferece recursos como DRM – Digital Rights Management (as demais desvantagens são genéricas e não se aplicam somente ao caso de vídeos).

APLICATIVOS MOBILE

Um aplicativo mobile é um pequeno programa que deve ser instalado em dispositivos móveis e cumpre um objetivo de venda ou marketing, através da entrega de uma ferramenta para o seu público-alvo. Os aplicativos, geralmente, são pequenos, independentes e focados na resolução de uma única tarefa.

Vantagens:

  • Rápidos: os aplicativos podem ser carregados em poucos segundos e são mais rápidos do que os sites responsivos ou do que os sites dedicados.
  • Disponíveis off-line: aplicativos nem sempre necessitam de uma conexão com a internet. Portanto, o conteúdo pode ser acessado mesmo quando o usuário está desconectado.
  • Funcionalidades mobile nativas: os aplicativos podem utilizar funcionalidades nativas dos dispositivos móveis, como câmeras ou localização via GPS.

Desvantagens:

  • Necessitam de download: menos de 20% dos aplicativos de marca são baixados mais de 1.000 vezes.
  • Manutenção: os aplicativos necessitam de uma boa quantidade de manutenção para manter os usuários engajados e para ficar adaptado às frequentes mudanças dos sistemas operacionais.
  • Só funciona em uma plataforma específica: os aplicativos são limitados às plataformas móveis (iOSAndroidBlackBerry e Windows 7) e necessitam de promoções adicionais, já que os usuários não os encontram através dos mecanismos de busca tradicionais.

Cada opção possui prós e contras. Cabe a você escolher qual delas pode funcionar melhor para a sua estratégia. Eu já escrevi alguns posts sobre as vantagens e desvantagens dos sites responsivos vs. dedicados e sobre os resultados de uma pesquisa com arquitetos de informação, designers de interface e programadores, a respeito do mesmo tema (vantagens e desvantagens dos sites responsivos vs. dedicados). Talvez, a leitura desses posts possa ajudar a auxiliar na decisão sobre o caminho a ser escolhido.

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